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03/1987
Amor se foi

De céu azul,
Faz-se rubra,
Estrada de andorinhas,
Maltratadas e tristes,
De gritar melancólico.

De repente uma lágrima,
Escorrega pela face,
Onde por tanto tempo,
Fez morada um sorriso,
Que passava dia-a-dia,
A perder sua importância.

De sorriso festivo,
A um sorrir inibido
,
Prá disfarçar a tristeza,
Que por natureza,
Já mora nos sozinhos.

de tanta importância,
Que pra ti guardei,
Por tua inconstância,
Eu me isolei,
De um mundo de luz,
Que eu mesmo criei.

E por tanto sorriso,
Em pouco tempo perdido,
Aconteceu o que eu temia,
Morreu um certo dia,
O amor que eu possuia.

Visão

Dia de nascer o sol,
Passou....
E o sol não veio.
Noite de vir a lua,
Passou...
E a lua não apareceu.
O que há ? Perguntei.
Será que os dois astros,
Esconderam-se em sua vaidade ?
Ou será que morreram,
Atacados por uma moléstia?
Nada me responderam.
O céu sem cor algum,
Apelei para a ignorância,
Imaginando os dois juntos,
Amantes escondidos,
Fugindo aos olhos dos homens,
Com vergonha em seu carinho,
Não, idéia louca esta minha,
Todos sabem que há séculos,
Tenta o brilhante sol,
Seduzir a inocente lua,
que continua firme...
Chega perto,
Mas logo foge.
Então onde estariam ?
Me perdi em pensamentos,
Quando de repente,
Veio o carcereiro,
E me tirando da cela,
Falou-me com jeitinho,
Vamos passear lá fora,
Benedito ceguinho.